Anestesiou? Tem que operar

Com a recaída da violência no Rio de Janeiro, nos últimos meses, em especial com o fato ocorrido no Morro do Alemão nesse final de semana, vem à tona o questionamento sobre a eficácia das UPP.

Natural que isso aconteça, principalmente porque somos um país “sob anestesia, mas sem cirugia”, como bem disse uma vez o economista Mário Henrique Simonsen.

Para quem está fora do Rio de Janeiro é ainda mais comum questionar, pois nunca souberam o que de fato houve aqui com a famosa pacificação. Para os longínquos, a única janela de observação é a imprensa, que com suas lentes e filtros, apresentam a realidade conforme a sua visão, ora imparcial, ora tendenciosa.

Independente da politicagem, despreparo ou desinteresse dos poderosos, o movimento de ocupação dos morros dominados pelo tráfico e o policiamento mais presente, ao longo da cidade, trouxe sim um novo ar de esperança na solução do problema da violência no Rio de Janeiro. Longe dizer que a questão está resolvida. Mas é notório que a cidade ficou mais segura após as UPP.

Se a questão do tráfico de drogas foi solucionado, essa é outra questão. Claro que não. Continua acontecendo, com novos modelos de negócio e sem as armas em punho. Por mais que tenhamos visto na TV balas traçantes e tiros pra todo o lado, não podemos ser ingênuos de achar que um milagre aconteceu no Rio. Por que não aconteceu.

O que nos cabe é reconhecer que estamos vivendo uma realidade nova, mais tranquila sim, e pedimos que o governo seja responsável e assuma o seu papel de manter a ordem e a paz, sem esmorecer, para não dar espaço novamente aos bandidos de plantão.

Voltando e parafraseando o célebre Simonsen: já que o paciente foi anestesiado, que comecem logo essa cirurgia então.

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